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A Recuperação de Atletas após Lesão – Return to Play

23 Novembro, 2017

Do retorno ao movimento ao retorno ao jogo.

Independentemente da lesão, o cumprimento de protocolos leva-nos claramente a um maior sucesso na recuperação de atletas de alto rendimento. O sucesso numa recuperação de lesão depende naturalmente de muitos fatores, muitos deles intimamente associados ao estilo de vida e ao percurso profissional do atleta. Dependendo naturalmente de cada caso, durante a recuperação de lesões, alguns atletas vão realizando algumas atividades de forma a não pararem abruptamente (treino de força ou trabalho cardiovascular com musculatura não envolvida na lesão).

Após a alta clínica, o atleta entra na primeira fase de todas, “o retorno ao movimento”. Aqui deve procurar-se progressivamente adaptar o jogador à corrida, a outras atividades de base aeróbia e ao treino de força. Todas estas atividades devem apresentar uma baixa intensidade, complexidade e o seu volume deve ser progressivo. Esta fase está intimamente dependente do tempo de paragem sendo que pode começar mais cedo ou mais tarde no processo de recuperação, dependendo do tipo de lesão e de intervenção clínica. Após este momento o atleta entra no “retorno ao campo”, onde deve ser progressivamente estimulado com exercícios individuais com maior especificidade, de acordo com a modalidade e com as funções assumidas (posição, ações tipo de acordo com o modelo de jogo da equipa). Nesta etapa poderá optar-se por um misto entre exercícios de condicionamento com base na corrida ou exercícios realizados com bola e orientados para a especificidade da modalidade. No que diz respeito ao treino de força, deve aumentar-se também a intensidade e a especificidade procurando maioritariamente a utilização de exercícios poliarticulares. Mais uma vez, após os critérios cumpridos, o atleta deve passar para a fase de “retorno ao grupo”, onde tem o primeiro contacto com o treino coletivo. Inicialmente deve ir entrando faseadamente no treino, devendo ser protegido do contacto com os outros atletas e posteriormente deve ser estimulado com maiores volumes, complexidades até chagar a uma fase de liberdade total. Após o sucesso nesta fase o atleta deve passar para a fase do “retorno ao jogo”. Nesta etapa, é fundamental o aumento progressivo da dificuldade dos jogos bem como dos respetivos volumes de prática. É expectável nesta fase que o atleta apresente os seus valores superiores aos valores de referência prévios à lesão. Da mesma forma, é espectável que os seus valores estejam ao mesmo nível ou acima dos valores de referência dos atletas da mesma posição. Nestas fases, é importante também otimizar o treino de ginásio para o desenvolvimento da força máxima e da potência. Em todo o processo, a intervenção deve ser articulada entre o médico e fisioterapeuta, o fisiologista e a equipa técnica.

Cada etapa deve apresentar objetivos específicos e requisitos que permitam de forma objetiva perceber a evolução do atleta e assim permitir a sua transição para outras etapas. Os objetivos devem ser definidos de acordo com os valores de referência prévios à lesão e de acordo com os valores de referência dos atletas da mesma idade e posição. Com o fim de prescrever e avaliar o treino, devem usar-se variáveis como a distância percorrida, distância percorrida em altas intensidades, acelerações, intensidades e volume de treino, repetições máximas, velocidades de execução dos exercícios, entre outras. O controlo da carga de treino pode também ser realizado a partir da gestão da carga aguda e crónica relativamente ao RPE e ao volume do treino ou às variáveis recolhidas com GPS (Distância Total e Distância de Alta Intensidade). No que diz respeito aos requisitos, estes devem ser considerados de acordo com o sucesso no cumprimento dos objetivos. Entre eles, podemos utilizar escalas de dor, testes de aptidão da capacidade aeróbia, testes de aptidão neuromuscular, testes funcionais, observação do sucesso nas ações técnico-táticas e na tomada de decisão, entre outros.

Para um processo totalmente controlado, devemos conhecer pormenorizadamente todos exercícios aplicados. O quadro em baixo mostra o exemplo de 4 exercícios distintos que promovem estímulos diferentes nos atletas. Podemos considerar estes estímulos em função das capacidades físicas, das ações técnico-táticas e dos comportamentos táticos.

Por exemplo, temos um exercício de corrida contínua em que os atletas percorrem aproximadamente 155 metros por minuto, habitualmente com uma intensidade 5 numa escala subjetiva de 1 a 10. Por outro lado, temos um exercício de sprints repetidos com recuperação ativa em que se leva o atleta a percorrer aproximadamente 2 metros por minuto em alta intensidade, com aproximadamente 19 acelerações de 2m/s por minuto, 5 acelerações de 4m/s por minuto, habitualmente com uma intensidade de 8 numa escala de 1 a 10. No diz respeito a exercícios com bola, temos por um lado um exercício de passe e receção orientada com mudanças de direção curtas que promove maioritariamente ações de baixa intensidade e um outro com passe frontal seguido de deslocamentos rápidos para outas zonas que promove ações explosivas. Em ambos, os atletas executam uma média de 15 a 20 passes e 8 a 16 receções orientadas por minuto com diferentes mudanças de direção. A tomada de decisão nestes casos concretos está fechada.

Por curiosidade, deixo também o gráfico representativo de todo o deslocamento de um atleta durante uma sessão de treino específico (de aproximadamente 75 minutos) na fase de retorno ao campo.