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A Velocidade como Base do Treino da Força

29 Outubro, 2017

Da variabilidade do 1RM até aos casos práticos.

Nas modalidades colectivas e no futebol em particular, a gestão da fadiga dos atletas é a chave principal no que toca ao planeamento dos microciclos. Entenda-se como fadiga, a fadiga central (do sistema nervoso central) e a fadiga periférica (muscular). Oriento este primeiro tópico apenas para o planeamento do treino da força, embora o planeamento do treino táctico (no campo) cumpra um conjunto de princípios idênticos.

Imagem 1 – Disponibilidade Neuromuscular (Extremos)

Então, tal como mostra a imagem 1 (predisposição neuromuscular), a disponibilidade neurológica e muscular dos atletas oscila ao longo do microciclo por influência de algumas variáveis. Das quais, destaco a intensidade e volumes de treinos das sessões, a densidade competitiva e a qualidade do sono e alimentação do atleta. Então, que implicações para o treino da força têm estas variáveis? Independentemente do tipo de periodização utilizada (linear ou ondulatória), temos que ter sempre em conta a intensidade (carga ou RPE) e o volume (séries e repetições) das sessões de treino da força. Só assim estaremos mais próximos de cumprir os objectivos definidos para cada atleta. Mas a utilização do 1RM como base principal do planeamento e do treino de força será a forma mais viável? A resposta está no gráfico referido anteriormente. Imaginemos um atleta que tenha 1RM de 80 kg no supino e que pretenda treinar a 80% do seu 1RM em determinada sessão. Na prática, treinaria com aproximadamente 68 kg. Mas, tendo-se em conta as variações na disponibilidade neurológica e muscular dos atletas, sabemos que existem flutuações naquele valor de referência. Por isso, aqueles 68kg que teoricamente corresponderiam a 80% do 1RM, podem naquele dia corresponder a 60% ou 90% e não estarem ajustados aos objectivos definidos para a sessão e para o microciclo. Estas oscilações provocam também consequências nas estratégias de recuperação assumidas para determinado treino ou microciclo e consequentemente na gestão da fadiga dos atletas. Então, que outra variável pode ser usada por forma a optimizar o treino sem comprometer a recuperação dos nossos atletas? Com a utilização da velocidade como base do treino teremos este problema praticamente solucionado. Investigadores na área do treino, encontraram nos últimos anos uma correlação óptima entre a %1RM e a velocidade de execução de exercícios força.

Imagem 2 – Força-Velocidade (Bryan Mann)

A partir daqui, precisamos apenas de um instrumento para avaliar a velocidade média das acções concêntricas dos exercícios e com base numa curva força-velocidade conseguiremos de imediato optimizar a carga dos nossos atletas. No caso dos exercícios retirados de movimentos olímpicos, a velocidade média não é prática devido a apresentarem fases alternadas de desaceleração/aceleração. Para uma abordagem menos específica, Bryan Mann definiu a imagem 2 como forma de definir  intervalos de velocidade de acordo com a %1RM que poderá também servir de base ao treino da força. Relativamente às ferramentas para análise da velocidade, existe um elevado número de opções de acordo com os orçamentos de cada um. Umas são mais práticas e precisas que outras, mas  todas são viáveis para o incrementar o treino da força. Como controlo diário de treino considero bastante útil a utilização de sistemas com tecnologias sem fio e com ligação a smartphones ou tablets ou mesmo a utilização de softwares de análise em vídeo. Todas estes tecnologias dão dados em tempo real, são viáveis e apresentam uma boa relação custo/ qualidade.

Posted in Alto Rendimento by admin